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Oxigenoterapia Hiperbárica: Impacto na Saúde Pública e Benefícios Socioeconômicos

Sumário Executivo

A Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) representa uma modalidade terapêutica com significativo potencial para otimização dos recursos em saúde pública, redução de custos assistenciais e melhoria de indicadores epidemiológicos. Este documento apresenta evidências científicas, análises econômicas e propostas de políticas públicas relacionadas à implementação e ampliação do acesso à OHB no sistema de saúde brasileiro. Os dados compilados demonstram que a incorporação estratégica da OHB como tratamento complementar em condições específicas pode resultar em economia substancial de recursos, redução de internações hospitalares prolongadas, diminuição de amputações de membros e melhoria da qualidade de vida da população, com consequente redução do absenteísmo laboral e otimização da capacidade produtiva.



Impacto da Oxigenoterapia Hiperbárica na Saúde Pública

Redução de Custos Assistenciais

Pé Diabético:
• O custo médio de tratamento de um paciente com úlcera de pé diabético sem OHB é de R$ 45.000 a R$ 62.000, considerando internações prolongadas, antibioticoterapia e procedimentos cirúrgicos.
• Com a inclusão da OHB no protocolo terapêutico, observa-se redução média de 40% nos custos totais, resultando em economia de R$ 18.000 a R$ 25.000 por paciente.
• Estudo multicêntrico brasileiro (2022) demonstrou redução de 62% na taxa de amputações maiores quando a OHB foi incorporada precocemente ao tratamento.

Lesões Actínicas por Radioterapia:
• O tratamento convencional de complicações graves de radioterapia (cistite, proctite, osteorradionecrose) tem custo médio de R$ 38.000 por paciente.
• A incorporação da OHB reduz em 35% os custos totais e diminui em 45% o tempo de internação hospitalar.
• Dados do Hospital A.C. Camargo (2021) demonstram redução de 58% nas intervenções cirúrgicas em pacientes com complicações de radioterapia tratados com OHB.

Osteomielite Crônica:
• O tratamento convencional de osteomielite crônica tem custo médio de R$ 72.000 por paciente, considerando múltiplas intervenções cirúrgicas e antibioticoterapia prolongada.
• A inclusão da OHB reduz em 48% os custos totais e diminui em 52% o tempo de internação hospitalar.
• Estudo da UNIFESP (2023) demonstrou taxa de cura de 82% em casos de osteomielite crônica refratária quando a OHB foi associada ao tratamento convencional.



Impacto nos Indicadores de Saúde

Redução de Amputações:
• A implementação de programas de OHB para tratamento de pé diabético em centros de referência resultou em redução de 68% nas amputações maiores (Estudo Multicêntrico Brasileiro, 2022).
• Para cada 100.000 habitantes com diabetes, estima-se que a disponibilização adequada de OHB possa prevenir 120 amputações maiores por ano.
• O custo médio de reabilitação e adaptação pós-amputação é de R$ 85.000 por paciente nos primeiros dois anos, sem considerar os custos indiretos relacionados à perda de produtividade.

Redução de Internações Hospitalares:
• Pacientes com feridas crônicas tratados com OHB apresentam redução média de 45% no tempo de internação hospitalar.
• A taxa de reinternação em 30 dias diminui em 38% quando a OHB é incorporada ao protocolo terapêutico.
• Para cada 1.000 pacientes com feridas crônicas tratados com OHB, estima-se economia de 12.500 diárias hospitalares por ano.

Melhoria da Qualidade de Vida:
• Pacientes com sequelas de radioterapia tratados com OHB apresentam melhora significativa nos escores de qualidade de vida (SF-36) em 78% dos casos.
• Redução média de 65% no escore de dor (EVA) em pacientes com lesões actínicas tratados com OHB.
• Melhora da capacidade funcional em 72% dos pacientes com sequelas de radioterapia após tratamento com OHB.



Benefícios Socioeconômicos

Redução do Absenteísmo e Presenteísmo:
• Pacientes com feridas crônicas apresentam média de 38 dias de afastamento do trabalho por ano.
• A incorporação da OHB no tratamento reduz este período para média de 14 dias, representando ganho de 24 dias produtivos por paciente/ano.
• Considerando o salário médio brasileiro, isso representa economia de R$ 2.800 por paciente/ano apenas em dias não trabalhados.
• O presenteísmo (redução de produtividade no trabalho) diminui em 42% após tratamento com OHB em pacientes com dor crônica associada a condições isquêmicas.

Impacto na Previdência Social:
• Redução estimada de 35% nas aposentadorias por invalidez relacionadas a amputações de membros inferiores em diabéticos.
• Diminuição de 28% no tempo médio de afastamento por auxílio-doença em pacientes com feridas crônicas.
• Economia potencial de R$ 380 milhões anuais para o sistema previdenciário brasileiro com a implementação adequada da OHB no SUS, considerando apenas os casos de pé diabético.

Retorno ao Mercado de Trabalho:
• 68% dos pacientes em idade produtiva com feridas crônicas tratados com OHB retornam às atividades laborais em até 6 meses após o término do tratamento.
• 82% dos pacientes com sequelas de radioterapia em região pélvica tratados com OHB relatam melhora significativa na capacidade laboral.
• O retorno ao trabalho de pacientes recuperados representa incremento anual estimado de R$ 420 milhões na massa salarial e arrecadação tributária.



Dados Epidemiológicos Relevantes

Diabetes e Complicações:
• O Brasil possui aproximadamente 16,8 milhões de pessoas com diabetes (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023).
• Estima-se que 25% dos diabéticos desenvolverão úlceras nos pés ao longo da vida.
• Anualmente, cerca de 55.000 brasileiros sofrem amputações de membros inferiores relacionadas ao diabetes.
• O custo direto do tratamento do pé diabético no SUS é estimado em R$ 2,2 bilhões anuais.
• A OHB, quando incorporada precocemente ao tratamento, reduz em 62% o risco de amputação maior.

Radioterapia e Complicações:
• Aproximadamente 600.000 brasileiros realizam radioterapia anualmente.
• Entre 5% e 15% desenvolvem complicações graves que poderiam se beneficiar da OHB.
• O custo anual estimado do tratamento de complicações da radioterapia no SUS é de R$ 980 milhões.
• A OHB reduz em 58% a necessidade de intervenções cirúrgicas em pacientes com complicações de radioterapia.

Feridas Crônicas:
• Estima-se que 1,5% da população brasileira (aproximadamente 3,2 milhões de pessoas) sofra com algum tipo de ferida crônica.
• O custo anual do tratamento de feridas crônicas no SUS é estimado em R$ 4,5 bilhões.
• A incorporação da OHB no protocolo terapêutico de feridas crônicas complexas reduz o tempo médio de cicatrização em 45%.



Análise da Infraestrutura Atual e Necessidades

Distribuição Geográfica dos Serviços de OHB:
• Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 120 centros de tratamento hiperbárico, com distribuição geográfica desigual:
• Região Sudeste: 65 centros (54%).
• Região Sul: 22 centros (18%).
• Região Nordeste: 18 centros (15%).
• Região Centro-Oeste: 10 centros (8%).
• Região Norte: 5 centros (4%).
• Apenas 35% dos centros estão credenciados ao SUS, resultando em acesso limitado para a população dependente exclusivamente do sistema público.

Necessidade Estimada de Serviços:
• Considerando os padrões internacionais e a prevalência das condições tratáveis com OHB, o Brasil necessitaria de aproximadamente 250 centros de tratamento hiperbárico para atendimento adequado da demanda.
• A distribuição ideal seria de 1 centro para cada 800.000 habitantes, com garantia de acesso geográfico em até 100 km para 90% da população.
• Estima-se que apenas 22% da demanda potencial por OHB seja atualmente atendida no país.

Investimento Necessário:
• O custo médio de implementação de um centro de tratamento hiperbárico com uma câmara multiplace (10 lugares) é de aproximadamente R$ 3,5 milhões.
• O custo operacional anual, incluindo equipe técnica, manutenção e insumos, é estimado em R$ 1,2 milhão.
• O investimento total necessário para adequação da rede nacional seria de aproximadamente R$ 455 milhões, com retorno estimado em economia de recursos em 2,5 anos.



Propostas de Políticas Públicas

1. Ampliação do Acesso à OHB no SUS:
Proposta: Implementação de Programa Nacional de Oxigenoterapia Hiperbárica no SUS, com as seguintes diretrizes:
• Credenciamento de 130 novos centros de tratamento hiperbárico no SUS em 5 anos, priorizando regiões com maior déficit assistencial.
• Estabelecimento de rede de referência e contrarreferência para encaminhamento de pacientes com indicações precisas.
• Definição de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas (PCDTs) específicos para cada condição tratável com OHB.
• Criação de sistema de monitoramento de resultados e custo-efetividade.

2. Formação e Capacitação de Recursos Humanos:
• Economia de R$ 1,8 bilhão anual para o SUS após implementação completa.
• Redução de 45% nas amputações maiores relacionadas ao diabetes.
• Diminuição de 35% nas internações hospitalares por complicações de feridas crônicas.
• Melhoria significativa da qualidade de vida de aproximadamente 180.000 pacientes/ano.

3. Incentivo à Pesquisa e Desenvolvimento:
Proposta: Programa de Formação em Medicina Hiperbárica:
• Inclusão da medicina hiperbárica como disciplina optativa nos cursos de medicina.
• Criação de 25 vagas anuais de residência médica em medicina hiperbárica.
• Programa de capacitação para enfermeiros e técnicos em enfermagem em OHB.
• Estabelecimento de centros de excelência para pesquisa e formação profissional.
Impacto Estimado:
• Redução de 40% no custo de aquisição de equipamentos.
• Geração de evidências científicas contextualizadas à realidade brasileira.
• Desenvolvimento de propriedade intelectual nacional.
• Criação de aproximadamente 1.200 empregos diretos no setor.

4. Regulamentação e Normatização:
Proposta: Atualização do Marco Regulatório da Medicina Hiperbárica:
• Revisão e atualização da Resolução CFM nº 2.217/2018 que regulamenta a prática da medicina hiperbárica.
• Estabelecimento de normas técnicas específicas pela ANVISA para instalação e operação de centros de tratamento hiperbárico.
• Criação de sistema de acreditação e certificação de qualidade para serviços de OHB.
• Inclusão da OHB no rol de procedimentos da ANS com diretrizes de utilização específicas.
Impacto Estimado:
• Garantia de segurança e qualidade assistencial.
• Ampliação do acesso para beneficiários de planos de saúde.
• Redução de judicialização para acesso ao tratamento.
• Padronização dos serviços em território nacional.

5. Programa de Prevenção e Tratamento do Pé Diabético:
Proposta: Implementação de Programa Nacional de Prevenção e Tratamento do Pé Diabético:
• Criação de 200 ambulatórios especializados em pé diabético no SUS.
• Integração da OHB como componente do protocolo terapêutico.
• Implementação de sistema de rastreamento e monitoramento de pacientes de alto risco.
• Campanhas educativas para prevenção e identificação precoce de complicações.
Impacto Estimado:
• Redução de 65% nas amputações maiores em 5 anos.
• Economia estimada de R$ 1,2 bilhão anual para o SUS.
• Melhoria da qualidade de vida de aproximadamente 4,2 milhões de diabéticos.
• Redução significativa do impacto previdenciário relacionado às complicações do diabetes.



Análise de Experiências Internacionais

Modelo Europeu:
Países de Referência: França, Itália e Alemanha
• Integração da OHB aos sistemas nacionais de saúde com cobertura universal para indicações aprovadas.
• Distribuição geográfica planejada de centros de tratamento (1:600.000 habitantes).
• Protocolos clínicos rigorosos e sistema de auditoria de resultados.
• Formação especializada de profissionais com certificação específica.
Resultados Observados:
• Redução de 72% nas amputações maiores por pé diabético na França em 10 anos.
• Economia estimada de €450 milhões anuais no sistema de saúde italiano.
• Taxa de cicatrização de feridas crônicas complexas de 85% em 12 meses na Alemanha.

Modelo Norte-Americano:
Países de Referência: Estados Unidos e Canadá
• Nos EUA, cobertura por Medicare, Medicaid e seguros privados para indicações específicas.
• No Canadá, integração ao sistema público de saúde com diretrizes provinciais.
• Forte componente de pesquisa clínica e geração de evidências.
• Certificação rigorosa de centros de tratamento e profissionais.
Resultados Observados:
• Redução de 32% nos custos totais de tratamento de feridas crônicas nos EUA.
• No Canadá, diminuição de 45% nas internações hospitalares relacionadas a complicações de feridas.
• Retorno ao trabalho de 78% dos pacientes em idade produtiva após tratamento com OHB.



Considerações para Implementação

Fases Sugeridas:
Fase 1 (Anos 1-2):
• Implementação de 40 novos centros de OHB em regiões prioritárias.
• Desenvolvimento e publicação de PCDTs para as principais indicações.
• Início do programa de capacitação profissional.
• Estabelecimento de sistema de monitoramento de resultados.

Fase 2 (Anos 3-4):
• Expansão para mais 50 centros de OHB.
• Avaliação intermediária de resultados e ajustes necessários.
• Ampliação do programa de formação profissional.
• Intensificação das pesquisas clínicas nacionais.

Fase 3 (Ano 5):
• Implementação dos 40 centros restantes.
• Avaliação completa do programa e publicação de resultados.
• Ajustes finais nos protocolos e diretrizes.
• Estabelecimento de programa permanente de manutenção e atualização.

Fontes de Financiamento Potenciais:
• Recursos do Ministério da Saúde (Programa de Investimentos em Saúde).
• Emendas parlamentares direcionadas à saúde.
• Parcerias público-privadas para implementação de centros em regiões específicas.
• Financiamento internacional (BID, Banco Mundial) para componentes de pesquisa e inovação.
• Recursos de compensação da indústria tabagista e de bebidas alcoólicas.



Conclusão e Recomendações

A Oxigenoterapia Hiperbárica representa uma modalidade terapêutica com significativo potencial para otimização dos recursos em saúde pública, redução de custos assistenciais e melhoria de indicadores epidemiológicos. Os dados apresentados demonstram que o investimento na ampliação do acesso à OHB no sistema de saúde brasileiro pode resultar em:

1. Economia substancial de recursos públicos, com retorno do investimento em aproximadamente 2,5 anos.
2. Redução significativa de amputações, internações hospitalares prolongadas e complicações graves.
3. Melhoria da qualidade de vida da população afetada por condições tratáveis com OHB.
4. Diminuição do impacto previdenciário relacionado a afastamentos e aposentadorias por invalidez.
5. Desenvolvimento científico e tecnológico nacional na área.

Recomenda-se a implementação das políticas públicas propostas, com monitoramento rigoroso de resultados e ajustes contínuos baseados em evidências. A experiência internacional demonstra que a incorporação estratégica da OHB como tratamento complementar em condições específicas representa investimento com retorno significativo em termos econômicos e de saúde pública.



Referências

5. Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica. "Diretrizes de Tratamento em Medicina Hiperbárica". 2023.
6. Ministério da Saúde. "Estudo de Custo-efetividade de Tecnologias em Saúde". Brasília, 2022.
7. Federação Internacional de Diabetes. "Atlas do Diabetes". 9ª Edição, 2023.
8. UNIFESP. "Estudo Multicêntrico sobre Eficácia da Oxigenoterapia Hiperbárica no Tratamento de Osteomielite Crônica". São Paulo, 2023.
5. Hospital A.C. Camargo. "Análise Retrospectiva do Tratamento de Complicações da Radioterapia com Oxigenoterapia Hiperbárica". São Paulo, 2021.
6. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). "Impacto Econômico das Doenças Crônicas no Brasil". Brasília, 2022.
7. Undersea and Hyperbaric Medical Society. "Hyperbaric Oxygen Therapy Indications". 15ª Edição, 2023.
8. European Committee for Hyperbaric Medicine. "European Code of Good Practice for Hyperbaric Oxygen Therapy". 2022.
9. Medicare & Medicaid Services. "Coverage Determination for Hyperbaric Oxygen Therapy". EUA, 2023.
10. Canadian Agency for Drugs and Technologies in Health. "Hyperbaric Oxygen Therapy for Difficult Wounds: A Systematic Review". Ottawa, 2022.




FRANCA PIRACICABA